Ainda vale a pena colocar energia solar em 2026?
Vale, para a maioria das casas e empresas com conta de luz relevante. Mas “vale a pena” depende do seu consumo, do seu telhado e, principalmente, de a proposta ter sido feita com números honestos. Este artigo mostra o que mudou e como fazer essa conta com os pés no chão.
O que mudou desde 2023
A Lei 14.300 criou uma cobrança gradual sobre a energia que a usina injeta na rede e você usa depois, o chamado Fio B. Em 2026, quem instala paga 60% do Fio B sobre a energia compensada; em 2027 serão 75% e, em 2028, 90%. É uma parte da tarifa, não a tarifa inteira, e não incide sobre o que você consome no momento em que gera. Explicamos em detalhe no artigo sobre a Lei 14.300 e o Fio B.
Resultado prático: a economia ficou um pouco menor do que era para quem instalou antes de 2023, mas continua sendo a maior parte da conta.
A conta de luz no RN continua subindo
A tarifa da Neoenergia Cosern é reajustada todo ano em abril pela ANEEL. Os últimos ciclos mostram como ela oscila:
| Reajuste da Cosern | Efeito |
|---|---|
| Abril de 2024 | alta de 8,14% para residências |
| Abril de 2025 | redução média de 0,32% |
| Abril de 2026 | alta média de 5,40% (3,74% na baixa tensão) |
Some a isso as bandeiras tarifárias, que encarecem a conta nos meses de geração cara. Quem gera a própria energia fica menos exposto a essas variações.
Quando a energia solar compensa mais
- Consumo bem acima do mínimo cobrado pela Cosern. Quem consome pouco já paga quase só a taxa mínima, e a usina tem pouco o que reduzir.
- Consumo durante o dia. Comércios, clínicas, escritórios e casas com ar-condicionado ou piscina de dia aproveitam a energia na hora em que ela é gerada, sem pagar Fio B sobre essa parte.
- Planos de ficar no imóvel. A usina dura décadas; quanto mais tempo você usa, maior o retorno.
Quando talvez não compense
- Consumo baixo, perto do mínimo da conta.
- Telhado muito sombreado ou sem estrutura, sem alternativa de instalação em solo.
- Imóvel alugado por pouco tempo, sem acordo com o proprietário.
Nesses casos, uma empresa séria deve dizer que não vale, em vez de vender mesmo assim.
Como avaliar uma proposta sem cair em exagero
A diferença entre um bom negócio e uma frustração costuma estar nas premissas da proposta. Confira se ela mostra:
- A geração estimada em kWh por mês e a premissa usada para chegar nela. Números de geração muito acima da média da região pedem explicação.
- O Fio B já descontado da economia.
- Reajuste da tarifa realista. Projeções que supõem alta forte todo ano por 25 anos inflam a economia.
- Retorno do investimento com as premissas abertas. Desconfie de retorno em pouquíssimo tempo ou de economias milionárias em 25 anos para uma usina residencial.
- Garantias por equipamento e da instalação, por escrito.
- Quem faz a homologação e quem atende no pós-venda.
Na prática: quanto a usina vira de economia depende da sua tarifa, do quanto você consome de dia e do Fio B. É essa conta, feita com a sua fatura, que deve estar na proposta.
Formas de pagamento
Hoje é possível pagar à vista, parcelar no cartão ou financiar. No financiamento, compare a parcela com a redução da conta: em muitos casos ela fica próxima, e a usina passa a ser sua ao fim do contrato.
Resumo
Em 2026, a energia solar continua valendo a pena para quem tem consumo relevante e um bom local de instalação. A cobrança do Fio B reduziu um pouco a economia, mas a tarifa segue subindo e a usina protege você dessas altas. O ponto de atenção é a proposta: peça premissas claras e compare com calma.
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